14 de agosto de 2014

Telas inventadas, pinturas da mente.



[...] no inicio dos anos 1960, quando, uma vez por semana, ele ia à nossa casa nos dar aulas de pintura, “Inventa!”, repetia ele, quando, diante de uma cartolina vazia, perguntávamos o que fazer.[i]


Uma trajetória do olhar. Telas reviradas do avesso. Pinturas do avesso. Inventar a pintura.

Éder Roolt vê pintura em tudo e busca com isso este “estado inventivo” dito por Hélio Oiticica.

É um pintor e é da pintura que trata em suas telas.






Engenheiro químico de formação, não consegue separar as coisas, melhor, gosta de separar e desconstruir a matéria que compõe o mundo. O mundo que compõe a pintura.

Evidentemente que na pintura já aconteceu de tudo que se possa imaginar de temas, formas de pintar e não pintar. Artistas chegaram até a implodi-la (não foi literal), como fizeram os cubistas. Outros artistas tentaram acabar com a pintura de cavalete e de quadro, como o fez Piet Mondrian nas primeiras décadas do século XX, em que extrapolou com suas pinceladas as bordas da tela resvalando para a parede que servia de apenas de apoio ao retirar a moldura e pintar as laterais da mesma.



A história da pintura é de longa data, de séculos, se não milenar, e em toda a sua trajetória passou por grandes transformações de acordo com a sociedade e às épocas.

De pinturas planas sem profundidade com a figura de perfil achatado  e sem perspectiva foram vistas no Egito Antigo. Para as que imitavam a natureza, os pintores trouxerem profundidade para tela no Renascimento e no Romantismo europeus. Dos expressionistas aos impressionistas até as mais puras pinturas como a tela pintada sem marcas de pincéis, gestos do artista ou feitas com uma única cor, como foi à maneira de pintar dos suprematistas e mais tarde dos minimalistas, podia ser preto sobre preto, branco sobre branco, vermelho sobre vermelho e até mesmo a tela sem pintar, virar uma pintura. Ou ainda, na action painting dos anos 1950, em que se misturava todas as cores com os artistas munidos de pincel ou sem o pincel. Foram feitas pinturas com vassoura, com pá, com rodo ou apenas com o gesto de jogar a tinta da lata direto na lona.  

De grandes dimensões a ponto de as paisagens retratadas se transformarem em verdadeiros abismos vertiginosos onde o espectador podia mergulhar para pinturas minúsculas de se ver com lupa. Estas foram vistas principalmente na Holanda dos séculos XIV e XV. São perfeitas na sua fatura ao retratar o homem e a natureza quase fotográficos em tempos que a máquina de tirar fotos ainda não existia.

Vieram também as pinturas perfeitas e as imperfeitas, propositalmente, na execução como as do jovem artista paulista Henrique Oliveira que cobre áreas no formato de telas com chapas de madeira descartada com os matizes naturais da ação tempo sobre estas placas. Depois passou também para as coloridas artificialmente de maneira a conseguir sutis variações cromáticas.

Outras eram bem pintadas na busca de domínio da técnica. Outras  mal pintadas de propósito aconteciam casualmente e poderíamos chama-las de pinturas acidentais. Pinturas que nem são pinturas, apenas planos de material sintético industrializado que funcionam como campos de cor. Como as do artista paulista Carlos Fajardo da década de 1970. Trabalhos que nem poderíamos chamar de pintura já que são apenas superfícies de fórmica colorida.

Aconteceu e acontece de tudo na pintura de tal maneira que nos levou a crer em determinado momento que tínhamos chegado no seu esgotamento e, até mesmo, foi sugerido o seu desaparecimento.

Nada disso aconteceu. Não é isso o que vemos na arte contemporânea. A pintura continua forte e presente na produção atual. Temos artistas que se dedicam a investigar a linguagem pictórica trazendo novos questionamentos para a pintura. Em alguns casos, reinventando-a.

É o que o artista Éder Roolt busca. Sua técnica é pintar realisticamente os seus temas criando um simulacro entre a realidade que se vê na tela e aquilo que o observador de fato enxerga.

Esta sua insistência, pintar realisticamente, e digo isto positivamente, não faça muito mais sentido hoje, já que pintura perdeu esta função com o advento da fotografia. Antes a pintura tinha que ser um retrato da realidade. Hoje não mais. O artista se desobrigou dessa função. E é esta a ousadia do artista ao trabalhar com a realismo nas suas pinturas, esculturas e desenhos. Ousa desafiar em pleno século XXI o que se entende por uma pintura contemporânea ao querer com sua técnica muito estudada e que prima pela busca da perfeição, mudar a perspectiva do ponto de vista do observador usando de técnicas tradicionais. Cria um primeiro plano, um segundo e um terceiro dentro de suas pinturas para dar a noção de profundidade. Mas quando pinta o plástico bolha que simula “embalar” suas pinturas, cria um quarto plano, rompendo com a tradição da pintura de ter apenas três planos. O que se vê de fato quando pinta o quarto plano, este funciona como uma pele que acaba por anular a noção de profundidade trazida pelos primeiros planos.

Há uma busca de refinamento em sua pintura. Há estudo. Há insistência nesta busca da pintura perfeita que simula a realidade e que nos confunde. Aquilo que se vê não é bem o que se vê conforme o ângulo ou a distância que se observa o seu trabalho.

Muitos artista já o fizeram em outras épocas e outros também o fazem na atualidade. Refiro-me aqui como exemplo às obras de Iran do Espírito Santo e Hildebrando de Castro. Artistas que são referência para Éder Roolt. Embora os três artistas trabalhem o realismo ou hiper-realismo cada um à sua maneira. Os três têm pesquisas e interesses diferentes. Tanto na forma de pintar, como na escolha temática ou ainda na sua maneira de provocar o nosso olhar. No caso de Éder Roolt, suas pinturas não são exatamente o que vemos ou imaginamos ver.

Os dadaístas, os surrealistas, os cubistas, os abstracionistas e até mesmo os figurativistas, fizeram algo inovador, sem dúvida. Desde pintar como se via imitando a natureza, até o artista norte-americano Jackson Pollock que pintou com o simples gesto de jogar baldes de tinta sobre a tela estendida no chão.

Teve até os que não se propunham a pintar. Queriam pintar o nada. Mas o nada é impossível, restou então para o artista ítalo-argentino Fontana, simplesmente rasgar a tela pintada.

Roolt faz suas pinturas e esculturas de forma bastante rigorosa e obsessiva na busca da perfeição. Uma pintura que cria efeitos de realidade ao imitar, por exemplo, o amassado do papel celofane. Pinta o plástico bolha que embala uma tela de tal maneira que num primeiro olhar pensamos estar de fato diante de uma tela embalada com este material. E é de fato. É a matéria real transformada em pintura.

Uma outra dessas “pinturas”, usa o fundo de uma tela como frente embalada por um plástico “protetor” caracterizando este que seria o fundo, na frente da tela que vai ainda apoiada sobre duas latas pintura. O plástico transforma-se em uma película que dá uma preciosidade à tela vazia. As latas por sua vez, são esculturas de madeira pintada que mimetizam latas verdadeiras.

Estes trabalhos de Éder tratam da visão em paralaxe ou seja, o que vemos não é bem o que vemos. Vemos duas coisas que não correspondem a realidade. O que vemos é uma pintura da pintura ou uma pintura dentro de uma pintura que mimetiza o fundo de uma tela ou uma lata.

Em outro caso, a frente que seria a pintura, que não existe, é o fundo da tela. O fundo é a frente e o que vemos é a pintura do fundo da tela. Parece confuso mas é simples, e é para nos confundir o que Éder Roolt faz. Pinta a madeira e a dobra da tela que compõe o fundo de uma tela e expõe como o fundo de uma pintura. Um fundo de uma tela é a pintura dependurada na parede. É o que vemos. É um truque que cria uma ilusão ótica. A ilusão de estarmos vendo uma tela virada de costas para a parede, nada mais do que isso. O estranhamento se dá ao nos depararmos com o fundo da tela pintado que mimetiza o mesmo fundo.

O interessante deste trabalho é nos levar a pensar ou pintar com a mente a pintura que não vemos e que estaria na frente do fundo da tela exposta. O que estaria virado para a parede é uma tela em branco. A pintura que supostamente estaria ali existe apenas na nossa imaginação que sempre busca completar as coisas. Sempre que nos deparamos com o vazio buscamos preenchê-lo.

Uma pintura que só existe na mente de quem observa. Cada um imagina a pintura que desejar.

Quando se vê o trabalho a tentativa é de querer saber se há ou não uma imagem na suposta frente da tela. O artista deixa vestígios nas laterais da pintura, o que induziria ainda mais a esta pintura imaginária.

Em um primeiro olhar, sem perceber do que se trata, pensamos ver apenas uma tela dependurada de costas para quem vê. Mas não é. Trata-se de fato de uma pintura. Quando falo tela e pintura é porque o artista trabalha na duas fases de uma pintura propriamente dita. Uma em que a tela vista é só o fundo da tela vazia no que seria a sua frente. Ele pinta o fundo da pintura e as laterais como se fossem parte de uma pintura virada de frente para a parede. Mas a frente está em branco ou é o fundo de fato da tela. Não existe nada nesta face a não ser o próprio fundo. As laterais pintadas dão a ideia da existência de uma pintura que se estenderia para à frente. Simples. O trabalho fica nas adjacências do surreal.

A segunda é a própria mimetização de um fundo de uma tela ainda em branco. A superfície foi pintada, como se estivesse virada de costas na parede. Pensamos ver uma tela pintada de fundos. Nada mais do que isso. Mas não se trata de uma tela pintada virada de fundos e sim de uma pintura como se a tela fosse vista pelo fundo.

Parece ter ficado complexo o que descrevo insistentemente até aqui, mas ao ver os trabalhos do Eder Roolt fica tudo tão claro que não é nada difícil compreender o seu processo artístico quando olhamos para as outras séries de pinturas e desenhos que tem feito, torna-se mais fácil de entender do que se trata. Telas pintadas que enganam o nosso olhar desatento. Só percebemos o que está pintado quando fixamos o olhar e prestamos atenção no que estamos observando, trata-se de uma obviedade.


O olhar torna-se hoje um exercício difícil. É apenas o olhar superficial que pouco vê e em perspectiva para a tela que só percebemos do que se trata depois de um tempo de observação. Trata-se de pinturas que imitam o fundo da tela, as dobras do papel celofane ou plástico bolha.

Em outra série de desenhos, Eder Roolt simula a realidade ao inventar guloseimas sobre o papel. Balas, bombons e doces são pintados na técnica hiper-realista. Seduzem pela forma e cor. São vivos. Parecem de verdade tal a perfeição do desenho. São delicados e sedutores. Dá vontade de pegar mas são apenas desenhos no plano do papel.

É um jogo do artista. Os desenhos embora o plano do papel seja evidente, parecem tridimensionais. Parece existirem de verdade sobre a folha de papel. Parecem tomar volume. Se tornam volume. Tornam-se desenho. Nos outros casos anteriores, tornam-se pintura. É de pintura que estamos tratando.



Ricardo Resende

Mestre em História da Arte pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (USP), tem carreira centrada na área museológica. Trabalhou de 1988 a 2002, entre o Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo e o Museu de Arte Moderna de São Paulo, quando desempenhou as funções de arte-educador, produtor de exposições, museógrafo, curador assistente e curador de exposições. Desde 1996, é curador  do Projeto Leonilson. De março de 2005 a março de 2007, foi diretor do Museu de Arte Contemporânea do Centro Cultural Dragão do Mar de Arte e Cultura, em Fortaleza, no Ceará. De Janeiro de 2009 a junho de 2010, foi diretor do Centro de Artes Visuais da Fundação Nacional das Artes, do Ministério da Cultura. Atualmente é o diretor geral do Centro Cultural São Paulo.

Em 2011 foi curador das mostras retrospectivas Sob o Peso dos Meus Amores, do artista Leonilson, no Itaú Cultural e Sérvulo Esmeraldo, na Pinacoteca do Estado de São Paulo, em São Paulo. Ainda em 2011, foi o curador geral do Arte Pará – Ano 30, em Belém do Pará. Em 2012 foi curador da mostra retrospectiva Sob o Peso dos Meus Amores, do artista Leonilson, na Fundação Iberê Camargo, em Porto Alegre.









[i] VALENTIN, Andreas, VALENTIN, Thomas. Leve como o ar – Rio/Nova York, 1974. Folha de São Paulo – Arquivo Aberto/Memoria que viram Histórias. Ilustríssima: São Paulo, 11 de Maio de 2014, pag. 9.

21 de janeiro de 2013

Conectar via wi-fi

É estranho quando me conecto, me sinto mais vivo, menos humano, mais eu mesmo. Certo de que se conectarmos com nós mesmos não é nada fácil, é um estado de espirito, um estado de meditação, mas sem precisar fazer muita coisa. Apenas se deixar ir - ter consciência de si mesmo!

Ser artista é estar sempre preparado para tudo e aberto para novas experiências, novos pensamentos, novas emoções... Tenho minha receita pessoal de como me deixar conectar com este Universo de ideias mas apenas acontece quando tem de acontecer e não quando quero que acontece.
É engraçado porque as vezes penso que meu trabalho deveria ser bem punk ou hardcore mas depois que aprendi a deixar o universo preencher meus poros e ouvir minha alma - "meu eu de verdade" - acabo descobrindo coisas maravilhosas sobre a criação e aprendo muito mais me ouvindo do que impondo meu gosto pessoal do que "eu acho".
A parte maravilhosa do meu trabalho é descobrir...
É diferente, mas faz sentindo.

"E à medida que minha mente começa a abrir suas asas,
Não há limites para a curiosidade

Eu quero virar a coisa toda de cabeça para baixo
Eu vou encontrar as coisas que eles dizem que não podem ser encontradas
Eu compartilharei este amor que eu encontro com todo mundo
Nós cantaremos e dançaremos às canções da mãe natureza

Eu não quero que este sentimento vá embora
Quem vai dizer que eu não posso fazer tudo
Bem eu posso tentar, e enquanto eu giro eu começo a descobrir
As coisas nem sempre são como parecem

Eu quero virar a coisa toda de cabeça para baixo
Eu vou encontrar as coisas que eles dizem que não podem ser encontradas"


Já havia escutado a música Upside Down do Jack Johnson mas assisti o clipe apenas hoje, adoro esse macaco que meus filhos me ensinaram a ver. Fiquei de cabeça para baixo e de certa forma me conectei com o Universo e acabei lembrando Zeca Baleiro na música "Flor da Pele".

Ando tão à flor da pele
Qualquer beijo de novela
Me faz chorar


22 de novembro de 2012

Tintas / Pigmentos


Algumas pessoas me mandam mensagem perguntando que tinta eu uso e o porquê. Resumidamente:
tinta a óleo é uma tinta de secagem lenta que consiste numa mistura de partículas de pigmento em suspensão num óleo secante, sendo o mais comum, o óleo de linhaça
Tinta a óleo no wikipedia.org

Discuto sobre tintas a óleo com meus amigos pintores frequentemente, muitos de nós temos nossas próprias convicções do que é, e para que serve, e principalmente: como usar as tintas. Mas esse grupo de amigos pintores profissionais ainda é pequeno. Infelizmente a grande maioria dos pintores não pensam que há necessidade de entender e saber a fundo como funcionam as tintas. Primeiro coisa é: não existe tinta, o que nós profissionais precisamos pensar é no pigmento. E entender o "pigmento" é fundamental.

Como sou técnico e engenheiro químico posso chegar a inúmeras conclusões pois realmente estudei a fundo a parte técnica e fico triste quando pintores amadores dão seu toque pessoal a pintura: inventam teorias, misturam magias, criam fábulas. Pior, uns até ensinam! CUIDADO!!!

Vou explicar melhor: 
Primeiro, vivemos no século XXI, e a produção de tintas industriais evoluiu. Existem pesquisadores, engenheiros e uma cadeia de profissionais sérios e até marqueteiros de plantão dizendo comprem essa ou aquela marca de tinta; é o mercado de tintas e pigmentos como qualquer outro. Nós artistas, praticamente somos o último elo da cadeia produtiva: o consumidor que em sua maioria compra tintas de qualidade baixa.
Como consumidor quero o melhor, pelo menor preço, ou, por um preço x custo benefício.
Nas tintas a óleo industriais esse custo benefício vem em tubo "lacrado" e quando aberto não se sabe ao certo sua composição. Na regra, quanto mais barato o tubo de tinta, mais sujidade contem. 

Com o mundo globalizado até mesmo as grandes marcas de tinta a óleo, tempera, aquarela, etc., pertencem a grandes grupos de investidores, ou seja, produzir muito, diminuir a qualidade, realizar o marketing, aumentar o lucro. E nós pintores? ficamos nas mãos das pesquisas de opinião para lançarem essa ou aquela cor, ou aquele produto. Desculpem, podem ficar até chocados, mas algumas técnicas de pinturas são ensinados "errados" por supostos profissionais para usarmos produtos em excesso. Juro! Está no próprio site dessas empresas é só entrar e checar.

Como descobrir isso? estudando, estudando e estudando.

Já sei, vou fazer minhas próprias tintas! no meu caso deixo para os pintores saudosistas. 
Adoro os pintores saudosistas, mantem a tradição da pintura em seu cerne, uma pintura pura. Adoro alguns deles pois eles validam a sua dedicação ao simples prazer de fazer tudo, mesmo sabendo que não precisam.

Com tudo isso de errado acontecendo uma coisa é certa. a qualidade das tintas é muito superior ao do século XIX. E se fossemos fazer no atelie, demandaria tempo, máquinas, assistentes, e volta ao começo do processo comprando pigmentos puros e como analisar sua pureza?

No mundo penso que existem umas dez marcas para fornecer tintas a óleo de qualidade, umas cinco marcas de excelência. Dentro dessas cinco marcas apenas uma marca de excelência é vendida no Brasil: a Maimeri Puro, encontrada na Casa do Restaurador aonde vc pode consultar os catálogos e fazer suas próprias escolhas. O pessoal sabe tudo da Maimeri, são muito atenciosos e pacientes, podem lhe explicar e tirar todas suas dúvidas. Na Casa do Restaurador vc também vai encontrar a Maimeri Classico e a Artisti que tem o custo x beneficio excelente. É o lugar aonde encontro tudo que preciso para executar meus trabalhos.




Sem Título óleo sobre tela 15x20 cm 2012
Usando apenas tintas Maimeri


maimeri.it
casadorestaurador.com.br


Boa Pintura!

9 de agosto de 2012

Festa anticonformista



Por Juliana Monachesi

Ambigüidade é o nome do jogo aqui. O artista Éder Roolt carrega nas tintas para pôr em xeque noções culturais de real e realismo, de reprodução e identidade, de padrão e desvio. Bebendo na fonte do hiper-realismo, do qual ao mesmo tempo desconfia profundamente, Roolt cria uma linguagem própria de pintura figurativa – que passa então a distorcer e tencionar conforme a necessidade do tema abordado ou da iconografia eleita.

De instantâneos de uma infância inocentemente despudorada a uma adulteração da candura, passando por indícios do inconsciente -o brinquedo, a memória indireta da fotografia, o símbolo do fim de festa-, as pinturas do artista escancaram as maiores perdas do mundo real. A infância, na obra de Roolt, não é um tema localizado, mas antes um recurso metafórico para retratar a subjetividade contemporânea na era da infantilização geral e indiscriminada da maturidade, e também o seu reverso, a precocidade e queima de etapas psicológicas e culturais no universo infantil.

Além disso, a infância funciona, em suas pinturas, como pretexto reconhecível para evidenciar o trânsito entre ficções documentadas e documentos obliterados no imaginário cultural contemporâneo, propondo assim respostas a perguntas como Qual a atualidade e relevância da pintura hiper-realista em tempos de disseminação dos meios de registro e reprodução da fotografia e do vídeo? Faz sentido ainda opor pintura a fotografia nos dias de hoje?

A pintura paulistana vive um boom como não se via desde os anos 1980. Porém, como 30 anos atrás, diante da avassaladora quantidade de obras produzidas pelos pintores, é imenso o desafio de diferenciar o bom do mediano, e mais difícil ainda é distinguir o bom do ótimo. Quais destes pintores que despontaram no final da década de 2000 vão ficar? Que artistas da geração 2010 têm condições de continuar produzindo um trabalho relevante daqui a dez ou 20 anos?

A exposição de Éder RoolT ajuda a separar o joio do trigo no contexto da pintura de seu tempo. Pelo contraste que propiciam em relação a boa parte da produção vigente, suas telas evidenciam o quão complacente e apaziguadora é a pintura praticada nos ateliês paulistanos hoje em dia (porque não se compromete com nada, tem medo de fazer escolhas ou defender o que quer que seja, e acaba esvaziada pela banalidade). Sua pintura, ao contrário, é crítica. Seu discurso é sofisticado. Sua técnica, impecável. E está em boa companhia: Marilyn Minter, Montean & Rosenblum, Eric Fischl, Rudolf Stingel e Dan Colen são alguns dos artistas com quem sua obra dialoga.

Estes são artistas que deixaram no passado o embate entre figuração e fotografia, assim como entre realismo e romantismo, e conferiram, deste modo, outra razão de ser para a pintura de base fotográfica. Um tipo de pintura, aliás, que requer outra designação. "Hiper-realismo", está claro, não dá mais conta de descrevê-la. Cumpre, diante das telas apresentadas em Festa Anticonformista, perguntar que tipo -ou qual camada- de realidade está em questão, ou mesmo qual o assunto delas, por que são apresentadas nesta e não em outra seqüência, e por que estão reunidas sob este título.

Está tudo aí. Basta olhar com atenção.

27 de junho de 2012

Exposição individual...


Minha primeira exposição individual, praticamente um mês para a abertura, quase tudo pronto, e esse “quase” é o que tira o sono. Sabe aquele sonho impossível, aquele que nunca poderá ser realizado?
É assim que me sinto, realizando o meu maior sonho impossível. De um menino que um dia pensou em ser poeta, e de certa forma tornei-me. E que se emocionava estudando arte e aprendendo que o conhecimento é mais importante do que ter, que ao invés de poupar em algo material preferia gastar com música, livros, teatro, cinema e arte... Hoje, tenho certeza que a arte e o conhecimento que me modificaram; e modifica. Estou orgulhoso de ter a oportunidade de realizar um sonho impossível mas ao mesmo tempo me sinto mergulhado no medo, mas no medo bom, naquele medo em que confiamos pois temos certeza que dará tudo certo, mesmo não tendo certeza alguma.  Não sei o que vou pensar depois de realizar o impossível... é como se a partir da exposição nada, mas nada, será impossível de fazer ou realizar... mas de uma maneira totalmente zen.

E assim sigo, aprendendo e descobrindo com o trabalho, planejando e o que eu não planejei... apenas aconteceu. E para esta exposição escolhi o caminho mais pedregoso e perigoso. Guardando uma surpresa aqui, inventando ali, errando para dar certo. Simplesmente poderia ter ficado em cima do muro sem tomar partido das coisas, aceitar a pintura como ela deveria sempre ser, apenas pintura. Mas como eu ficaria, então ser pintor é só isso? Mas e as minhas referências? E no que eu mais acredito: a arte como mudança social, ou apenas, a arte como transformação pessoal. Com um objetivo simples: pintar para mudar o mundo...
Acredito que a arte tem poder, revoluciona, nos transforma, modifica, se instala. Por isso penso que a pintura pela pintura é apenas mais uma pintura, mas a pintura para transformação, a descoberta, o desafio, nesse caso, vale cada esforço e sacrifício da minha parte.


Estou compartilhando meus sentimentos usando essas palavras mas a maneira pela qual realmente me expresso é através da pintura, estou convidando a todos para verem uma exposição de um menino ideológico anticapitalismo, antiautoritarismo, antiarte, anti-heroi,  antimoda, anticomercial, antiarmamentista, antibélico, antinuclear, que fará uma FESTA ANTICONFORMISTA.

Abertura: dia 7 de agosto, terça-feira, das 19 às 22h30 horas
Período expositivo: de 8 a 28 de agosto de 2012

Local: Galeria Oscar Cruz
Endereço: Rua Clodomiro Amazonas, 526/528, Itaim Bibi - São Paulo, SP
Telefone: (55 11) 3167 0833
Horários de funcionamento: terça a sexta-feira, das 11 às 19 horas; e sábados, das 11 às 17 horas
Entrada franca e Livre
Estacionamento: duas vagas gratuitas em frente à galeria e estacionamento conveniado próximo.

28 de novembro de 2011

A Pintura surge da ponta do meu dedo

Pensei em postar um pouco da história dos pincéis, mas só ao digitar no google... milhões em referência. Deixa pra lá!
Eu pesquisei e aprendi bastante sobre pincéis a ponto de saber diferenciar praticamente todos, e com a pratica acabei me adaptando melhor a esse ou aquele pincel.  Para quem está no caminho da pintura, resumindo:
  • O que é o pincel?  É o veículo para o pigmento, ponto.
  • Regra número 1: quanto mais barato pior a qualidade do pincel. 
  • Regra número 2: o pincel mais caro, não é necessariamente o que você precisa, mas tem maior qualidade.
Mas com a intimidade do ofício da pintura, este veículo: o pincel, passa a ter maiores significados. Alguns pincéis acabam tendo vida próprio e não tem como deixá-lo ir, servindo apenas para aquela determinada função. Outros, ao contrário, no primeiro uso já demonstra insatisfação e deixa de me servir.
É uma relação muita estranha, mas ao mesmo tempo peculiar, é o instrumento de uso cotidiano que cria forma e determina sua função. 

Sobre a história, todos conhecemos arte rupestre, um pigmento na ponta do dedo e desenhos nos muros das cavernas. Depois um pigmento na ponta de uma vareta de pau e mais desenhos. Hoje o pincel moderno, como conhecemos é produzido usualmente pela fixação dos pelos ao cabo por uma virola (o metal brilhante).
Na pintura digo que o pincel nada mais é que a extensão do meu dedo, ou seja, não faço nada diferente que meus ancestrais faziam, apenas aprimoramos a técnica e os valores intelectuais.


Os pinceis que uso são produzidos pela Pinctore Tigre modelos "Sable Touch" referência 482, 483, 484 e o que eu mais uso é a referência  486. Para saber mais click nos links e nas imagens:




17 de novembro de 2011

Usar arte para virar o mundo do avesso


A Arte pode mudar o mundo? 


JR, um artista de rua Francês semi-anônimo, usa sua câmera para mostrar ao mundo sua verdadeira face colando fotos do rosto humano em lonas gigantescas. Durante a TED2011, ele faz seu audacioso pedido Prêmio TED: usar arte para virar o mundo do avesso. Aprenda mais sobre seu trabalho e aprenda como você pode fazer parte em insideoutproject.net.



5 de outubro de 2011

Exposição





Assim sem você

Adams Carvalho
Andréa Facchini
Bete Esteves

Éder Roolt
Fábio Tremonte
Fabio Flaks
Gisela Milman
Luiza Baldan
Julia Debasse
Marcelo Amorim
Roberto Muller
Rebeca Rasel

organização Leo Ayres


Dois corações batendo juntos em compasso. Um esperando que a bateria do outro acabe, mas torcendo para que esse encontro dure o quanto for possível. Se separados, são instrumentos de medição de tempo.

Depois de longas conversas, alguns cafés e duas noites juntos, nos vemos em cidades distintas. A noite chega e digito uma mensagem no celular, te lembrando que hoje vou dormir sozinho. Dois pontos seguidos de um parênteses indicam que estou triste com sua ausência.

Minha imaginação enche a distância entre nós dois de mil possibilidades. Passamos horas conversando e nem sei se vou ter assunto quando te encontrar novamente. Também não sei se quero ter assunto quando te encontrar novamente. Talvez tenha assuntos mais urgentes.

Foi apenas um encontro casual que nos deixou com a sensação de haver um longo caminho pela frente. Nenhum sinal seu ainda.

Enfim o telefone apita com sua resposta: “Pois aqui estavas bem presente em minha lembrança. Bons sonhos!”. De repente, me sinto como um enorme relógio, cuja circunferência atravessa vários quilômetros e chega até o meio do caminho entra nossas cidades. Sorrio com o pressentimento de que estamos no mesmo fuso horário.


Abertura sábado, 8 de outubro, às 11hs. 
de 11 de outubro a 12 de novembro
terça a sexta das 11h às 19h
sábado das 11h às 17h

Rua Clodomiro Amazonas, 526
São Paulo - SP - Brasil
55 11 3167.0833
info@galeriaoscarcruz.com
www.galeriaoscarcruz.com

21 de setembro de 2011

Apenas uma coisa: a descoberta.

Quem me conhece sabe que uma das minhas maiores referências é o Cildo Meireles, mas o que quase nínguem sabe, ao não sabia, pois vou escrever agora, é que de certa forma lutei muito contra a pintura, não que a pintura não tivesse a força necessária na época em que fazia meus estudos, mas era como se eu quisesse me aproximar, ou até mesmo fazer o que os grandes mestres contemporâneos fazem ou fizeram, erro meu, a repetição na arte é apenas a repetição de um pensamento, e para a história da arte não há repetição, mas um movimento sempre para a busca do novo, do desconhecido, da experimentação, do erro e do acerto. Mas penso que querer ser Oiticica, ou Duchamp, ou Meireles não foi um equivoco da minha parte, pelo contrário foi a parte mais real e verdadeiro do meu estudo, não o estudar pelo estudar, mas o estudar para descobrir e aprender. Querer ser o seu ídolo (pai, mãe, irmão, tio, vizinho, artista, etc) é tentar pelo menos um pouco, agregar o que cada um em de melhor e tentar vivenciar na sua experiência o que há de fazer melhor para nós mesmos.
Se deixar, permite que o tempo nos molde lentamente e quanto mais conhecimento adquirido juntamente com a prática, a experiência, o nosso próprio eu interior se encarrega de indicando caminhos que possamos percorrer, e na nossa própria inocência trabalhar, trabalhar e trabalhar para quem sabe um dia, sem nenhuma certeza, talvez, encontrar um  caminho, o novo.
E por mais que eu tenha estudado grandes artistas contemporâneos e suas instalações, projetos, etc, decerto que estou no meu próprio projeto de pensamentos mas através de uma tela em branco que precisa de apenas uma coisa: a descoberta.
Abaixo um vídeo de Cildo Meireles falando da sua instalação Rio oir em cartaz no Itaú Cultural, em São Paulo, até 2 de outubro de 2011.




8 de setembro de 2011

WHY STYLE MATTERS


Style, é uma palavra que me remete a muitas coisas, um estilo de vida, mas que isso, agregou a minha vida.
Estes dois vídeos abaixo (parte 1 e 2) me fez lembrar de toda a minha vida de carrinho, de como o "underground" se incorpora fisicamente a nós.
Este vídeo veio como mais uma resposta a pergunta que faço diariamente: Por que a pintura?
Cansei de definir apenas uma resposta há muito tempo, são várias as respostas e as maneiras de se checar alguma conclusão, por si só, é irrisória. O trabalho traz a verdade consigo.

Sou pintor em primeiro lugar por que amo pensar, depois posso dizer e não-dizer das coisas legais da pintura que em muitos casos não o são também. O trabalho laborioso de todos os dias, a dedicação de como as coisas devem ser, a concentração as vezes até surreal que vem seguido do desprendimento do mundo real.

A pintura me faz mal, sempre o fez. Então porque a pintura?
Todo prazer em excesso nos causa um mal, e isso é a pintura. Prazer em excesso de coisas imateriais, de momentos inventados, prazeres inexperimentados.

Sabe do que a pintura é feita? Da busca.
A resposta é simples mas a busca é dura, implacável, sedutora e inesgotável.
O que tudo isso tem haver com style e skate, talvez nada, mas para mim a certeza de uma resposta: a pintura como style ao invés de só um argumento fake.  








22 de agosto de 2011

Ilusão Incrível


Por que estou postando esse vídeo? Simples, lembrei-me dos livros de perspectivas que estudei, e também dos livros de "como nosso cérebro nos engana através dos olhos" ou algo assim. Mas quando eu os li não havia vídeos de fácil acesso, não existia o "youtube". Pois bem, a ilusão abaixa foi publicada pelo professor Edward H. Adelson do MIT em 1955 e ganhou nova roupagem.




Depois de ver o vídeo fica ainda mais confuso e a pergunta surge: como?


Simples, parece que os quadrados A e B são diferentes mas eles tem o mesmo tom de cinza e quando juntamos as duas faixas de cinza da mesma tonalidade aos quadrados A e B torna-se aparente que ambos tem a mesma tonalidade.

Ainda não acredita? Tem algo sorrateiro acontecendo?

A chave está na sombra do cilindro e no como nosso pobre cérebro processa a luz. A sombra escurece os quadrados centrais, mas ainda parece claro no quadrado "B" na cor devido ao contraste com os quadrados vizinhos mais escuros. Nosso cérebro é tão enganado por esse contraste que é difícil perceber que o quadrado claro "B" na sombra tem o mesmo tom absoluto com o quadrado escuro "A" de fora.

É por isso que como pintor encontro problemas na hora que estou trabalhando, e por causa de problemas com cores e matizes algumas telas já demoraram mais de dois anos para serem finalizadas, mas com a prática a solução sempre fica mais pontual. Sem falar que são os "problemas" na pintura que me deixam mais empolgados para continuar trabalhando.
A busca por novas resoluções... sempre...

15 de agosto de 2011

Parte do "Tratado sobre milhares de andorinhas"

Sempre que entro em um trem lotado a única sensação que tenho é que somos todos sardinhas. Olho ao redor e tento compreender o que eu estou fazendo ali. Isto não é vida pra mim — penso isto todos os dias. E chego a conclusão: isto não é vida para ninguém! E quase todos aceitam estas situações como se fossem pré-destinados a terem de sofrer. Os únicos barulhos são: o do ferro contra o ferro numa batalha sem fim e o do motor que faz esta crueldade perdurar. A maioria das pessoas estão em pé há pelo menos quarenta minutos e para muitos este é o segundo ou terceiro transporte que utilizam para voltar para casa. Olho em volta, todas elas estão cabisbaixas com seus olhares exaustos e distantes como se já tivessem perdidos suas vidas a muito tempo atrás — mas não pensavam mais. Não se lembravam como era uma vida; ela se perdera em algum tempo ou nunca existira. Como elas estavam? Tão cansadas e espremidas como eu, onde quem se meche perde até o lugar de se por o pé. Quem somos nós? Vocês não sabem por que nós não existimos? Porque se existíssemos nós teríamos no mínimo, um meio de transporte mais decente. A verdadeira sensação que tenho neste momento, em plena sinestesia com as pessoas deste vagão — ou lata — que estão abarrotadas e em pé, é que todos temos uma só certeza: NÃO SOMOS NADA!

Procuro algo mais para pensar, não posso me deixar morrer aqui dentro, este barulho do trem, este barulho deve ser uma espécie de musica para levarem meus pensamentos daqui, tenho que pensar e imagino o trem como se fosse um filme em três dimensões. Eles abrem a porta — “play” — entra e sai sardinha. Eles fecham a porta — “pausa”. Entre uma estação e outra, pouca conversa, quase nenhum leitor, muitas cabeças abaixadas, muitos olhares deprimentes, na face uma estampa de cansaço e dor; e tudo muito perceptível. As ancas arriadas de tanto trabalho, baixa estima para todo lado. Idosos em pé depois de um exaustivo dia de trabalho. Um ou outro sorrindo pra não chorar. Este é o filme de milhares de pessoas... das pessoas que não existem; este é o meu filme.

Na rua, se você quiser reparar em alguma coisa, observe as pessoas: a maioria andam a pé e necessitam exclusivamente do transporte público. Procure se informar; é tão verdade que só quem não quer ver não enxerga. Não adianta procurar pessoas andando na vinte e três de maio, ou na avenida Brasil, ou qualquer região classe média ou alta. Digo mesmo! É na periferia ou nas cidades dormitórios como Mauá, que estas coisas existem. Em Mauá existe até uma associação de bicicletas que fica em baixo da passarela, no centro. São em média mil e quinhentas bicicletas que circulam por dia só na associação. Agora pensem comigo: se existem tantas bicicletas numa associação, imagina o número de pessoas que usam este meio de transporte direto para seu emprego?! Agora imagina a quantidade imensa de gente voltando a pé?! São nove horas agüentando um trabalho cansativo — em pé. Três horas de condução lotada, na maioria das vezes — em pé. O caminho para casa — a pé! Gostaria que essas pessoas tivessem uma mentalidade para a preservação ambiental, mas infelizmente apenas os excluídos se arriscam tanto em bicicletas num transito caótico aonde quem é o maior manda mais, ou invés de quem é o maior respeita mais...

21 de julho de 2011

Gerhard Richter na Pinacoteca de São Paulo

Muito bom esse vídeo para divulgar a Pinacoteca de São Paulo , espaço esse, uns dos melhores lugares do mundo, e cada vez melhor...
E para minha Curiosidade e formação artística a Pinacoteca é minha escola de vida com tinta.
E ainda continua a ser, quinta-feira passada assisti a uma palestra muito legal sobre Gerhard Richter, aliás, a Pinacoteca está realizando a sua primeira individual em São Paulo, vale muito conferir de perto.

GERHARD RICHTER
23/jul a 21/ago

AOS CURIOSOS
a partir de Out/2011.


13 de julho de 2011

UM GOYA DE 2,5 MILHÕES NA CHRISTIE’S DE LONDRES

Um desenho de Francisco de Goya que fez parte do Álbum E do artista converteu-se na segunda obra mais cara de todas as obras sobre papel leiloados até ao momento com a sua assinatura. Um coleccionador ficou com ela nesta semana na Christie’s de Londres depois de licitar até aos 2,5 milhões de euros.

Apenas um desenho de Goya tinha superado esse preço até agora. Vendeu-se na mesma sala em 2008 e o seu comprador ofereceu então 2,86 milhões de euros.

Disponível em: arteseleccion.com

1 de julho de 2011

+ uma poesia

Não tenho nada para escrever

mas esta necessidade de pintar palavras

com estas cores novas

me faz forçar a imaginação

e mesmo sem querer pensar

somente com esta vontade de escrever

vou inventando sons

nesta linha, ou ponto contínuos,

que se faz parecer reta

nesta que vai para o infinito

mas que me faz trocar de linha

Perto do final de algum lugar da página


Durante todas estas infinitas linhas

Que percorri escrevendo

Tentei chegar a algum lugar

Mas só me fez trocar de mundos

Enche-los de fantasias numéricas

Química, filosofia, geografia, línguas

E cheguei a conclusão que não aprendi nada

E nem a conclusão alguma


2 de junho de 2011

Dias frios...

Sabe aqueles dias em que parece que não deveriam existir? Mas existem, e devem existir para nos lembrar que a vida não é feita apenas de cor e pincéis, mas também de som e fúrias (vcs conhecem isso). O mais impressionante é como nesses momentos ainda que estejam caindo ferros e cofres sobre nossos eus, a única vontade é correr para frente de uma tela e... se deixar.
Mas é quase utópico, quase invenção do meu próprio tempo, querendo e forçando com que meu tempo sobrepujasse todos os resquícios da vida mundana que não queremos não aceitar, mas ela existe. Desse tempo, apesar da tinta impregnar o tempo todo em um movimento infinito, o tempo por outro lado passa a toda por toda volta e assim o som e a fúria, dissuadido em cores, fica só a espreita do próximo movimento, pois as cores ficam no mesmo lugar mas a vida insiste em fazer a gente seguir nosso rumo...

19 de maio de 2011

sem título - 2003

São cores azuis, rosas

dores nos olhos

gestos das mãos

São todas cores

Cores das dores

Que meus olhos sentem

São tantos que não sei

nem ao menos o teu nome

cores nos meus olhos

cores, dores, cores, são tantas

que se perdem ao nada

se sentem jogadas

se tornam monocromáticas.

25 de abril de 2011

Catálogo 42° SAC


Excelente o trabalho realizado pelo "Salão de Arte Contemporânea de Piracicaba" do qual fui selecionado e fiquei muito orgulhoso.
O catálogo virtual está legal assim como o impresso, mas penso que poderiam explorar mais os trabalhos dos artistas. Selecionaram dois trabalhos meus, na foto do catálogo deram um close imenso e retiraram até a boca, sem dizer que a maioria das pessoas que ainda não conhecem meus trabalhos insistem em dizer que são fotos. É óleo sobre tela, sim... Não custa informar a técnica utilizada. O trabalho acima Sem Título mede 85 x 55cm.
Para citar outro exemplo, o trabalho que gostei foi do projeto-pintura do Pedro Hurpia mas como no meu caso a foto publicada no catálogo não mostra nem 1/3 do seu projeto.
Sinto, porque as vezes não conseguimos comparecer num evento tão legal como esse (nesse consegui marcar presença), mas como artista, mesmo sem poder presenciar a mostra de arte, gostaria de acompanhar a produção dos nossos colegas e com esse lindo catálogo senti um gostinho de querer mais, de querer guardar aquelas imagens completas cheias de histórias para sempre.
O "SAC42" está de parabéns pela ótima iniciativa e pela ótima exposição que produziu, quem sabe nas próximas mostras de arte o catálogo virtual esteja repleto de imagens como eu gostaria que fosse, como eu gostaria de me sentir presente....



Clique na imagem acima e vejam o catálogo completo do "SAC42"

19 de abril de 2011

Quadrinhos

Lembro-me bem na minha adolescência gastando dinheiro com quadrinhos, eu e alguns amigos comprávamos sempre juntos, tudo isso para não comprar a mesma edição para que pudéssemos ler muito mais quadrinhos e conseguir economizar uma grana. Economizar nada, nossa grana era curta mesma e assim criamos um pequeno círculo de leitores de quadrinhos sem nos dar conta. Na verdade meus amigos eram muito mais aficcionados, eram fãns mesmo e sabiam tudo e com eles que tirava minhas dúvidas e aprendi muito sobre este mundo maravilhoso. Com a chegada da internet ficou muito mais fácil acompanhar muita coisa que estão sendo produzidas. Outro dia no blog dos quadrinistas Fábio Moon e Grabriel Bá o trabalho abaixo tocou meus pensamentos.
Sem dizer que agora eles estão, mais uma vez, na lista de indicados aos Eisner Awards, a maior premiação de Quadrinhos do mercado americano com o "Daytripper" indicado à melhor mini-série.



28 de março de 2011

Chuva de Ouro



Estou querendo postar esta foto desde Janeiro mas me esqueci completamente. Esta Orquídea esta instalada no nosso pé de mexerica e fazem quatro anos que cuido dela. E este é o segundo ano que vejo suas flores, aliás, em número bem superior ao retrasado. Ficaram simplesmente lindas. Detalhe, desde que a coloqueia na árvore fiz questão de nem saber de qual orquídea se tratava. Apenas ganhei uma pequena muda e quatro anos depois descubro que me deram uma chuva de ouro.
Um dia tenho a certeza que terei meu próprio orquidário: podem me enviar mudas que terei o imenso prazer em cuidar e ter a felicidade de ser agraciado com tanta beleza.

As orquídeas possuem uma história intrincada e interessante, os significados das orquídeas incluem o amor, a beleza, o luxo e a força. As orquídeas são particularmente um tipo elegante de flor, fazendo lhes o presente perfeito para muitas ocasiões. Sua aparência graciosa extrai a atenção imediata, e por ser uma flor exótica e incomum, invoca um sentido de refinamento e da inocência.

Nome Técnico:
Oncidium

Nomes Populares :
orquídea chuva-de-ouro

Família :
Família Orchidaceae

Origem:
Nativa do Brasil e Paraguai

Descrição:
Planta herbácea perene de hábito epífita com altura em torno de 35 cm, de pseudobulbos curtos e ovalados e duas folhas estreitas e flexíveis por bulbo.

12 de março de 2011

Do livro Hum: Tratado sobre Milhares de Andorinhas

Introdução

O artista não deveria existir,
seja lá de qual arte ele pratique ou se identifique. Vamos acabar com a arte e com todos os artistas!!! Morram todos! E todos, significam, até aquele que tem uma mínima fagulha de arte acesa dentro de si mesmo. Morram!!! Matar artistas não é assassinato, é um favor, É UM FAVOR! Por favor, matem todos os artistas! Ninguém pertencente a essa raça de artistas deve sobreviver e eu digo ninguém... ninguém! Alguém está me ouvindo? — Estou gritando desesperadamente; meu estômago dói, meus olhos estão em labaredas enormes, minha língua quer saltar ao chão. As lágrimas tentam, tentam, em vão... empedram.
“Vocês estão me ouvindo?” Matem todos os artistas, não deixem que vivam, matem todos; eles te agradecerão. Eu prometooooooo!!!!!! “Por que ninguém me ouve?” Estou berrando! “Estão todos surdos?” Seus tolos, eu estou com a verdade! Esta verdade é minha! Eu lhe prometo qualquer coisa; lhe darei tudo! Matem os artistas! Matem os artistaaaassss!!!

(Pra que viver fazendo arte? Pra que morrer pela arte? Por que sofrer pela arte? Por que a arte? Por que tudo parece existir? Por que à arte?).
Posso citar inúmeros artistas mas você; você Van Gogh. Você foi de todos, de todos, o mais babaca, o mais otário. Babaca! Morreu na miséria, passou fome, perdeu a orelha — sofreu! Em nome do que? Da arte? Babaca! Arte não existe! Hahaha!!! E o que vale para você hoje? Seu nome estampado na fachada de um museu moderno? Seu otário! O pior de tudo é que 99% das pessoas que visitam o “seu museu” não vêem suas telas. Hahaha!!! Seu nome não te serve pra nada depois de morto. Enquanto isto, outras pessoas as custas de tua miséria lucram vendendo e falsificando seus trabalhos. Vai trouxa! Morreu pobre! Tudo pela arte? Cabaço! (Que raiva!) O que te adianta ser famoso após a morte, quer dizer após 100 anos? Morreu na miséria; os ratos imundos que viviam no esgoto a céu aberto atrás do seu barraco morderam sua orelha e mijaram em suas telas que nada valiam. Nada! Nem um centavo! O mundo para você é uma privada onde ninguém quer saber de limpar a bunda.
Outro que vale a pena citar: você deve conhecer o Mário... Mário de Andrade, outro babaca! Aqui no Brasil morreu pela sua arte; escrevia, usava palavras. Caneta ao invés de pincel, um mané!!! O pior de tudo? Ele era idealista! No Brasil isto é caso de loucura, internação! Hoje homem de grande orgulho, tem seus livros publicados, sua história contada, homenagens, apareceu em filmes, em minissérie, teatro... Claro que não é sobre sua vida de imbecil! Passou muita necessidade, até fome. Ah! O álcool. Bebia. Enxugava! Hoje, orgulho nacional, dentre os letrados e os não letrados, seu nome é reconhecido nacionalmente, que orgulho! Grande artista; fez muito pela nossa arte! No Brasil isto não existe! Quer fazer arte? Então... morra de fome! Mário, tenho orgulho de você, você é o cara! E tenho orgulho dos que te conhecem e sei também que aqui no Brasil 99,9% daqueles que já ouviram seu nome e sabe que você foi escritor, oh Mário... 99,9% das pessoas nunca leram seus livros. E pra que você insistiu na arte? Por quê você? Você é tolo?! Ninguém lerá seus livros mas todos sabemos do grande homem que fostes, mas e daí? Você sofreu, passou fome, morreu e ainda por cima... ninguém te lerá... hahaha!!!
E o que bate o recorde, um dos piores artista de todos os tempos em gênero, grau e número é o Leminsk, sim, o maior de todos os otários — este poderia ser o que quisesse. Que babaca! Escolheu o Judo que não dá dinheiro nem pra um campeão e ainda por cima foi ser poeta, hahaha! A pior de todas as escolhas. Seu sofrimento em si foi o menor, claro! Poeta já nasce sofrendo e este por capricho do destino ou cousa pior, acreditou na poesia. Seu idiota! Acreditar na salvação através da poesia, nem Deus neste caso salva. Você Paulo, nome de papa, nome de santo, nome para poucos. Profissão para ninguém. Poesia; poeta, isto tudo nunca existiu — isto é maluquice. Pensei um dia; quero ser assim — Paulo, imagina? Sobrenome Leminsk. Tudo! O filho da piiii... me enganou. “Por que ninguém me ouve?” Estou me esgoelando de gritar. E você Paulo vai me ouvir ou também vai fingir que não é com você? Você sabe do que eu sofro? Você não é poeta? Então? Se vira! Não quer me ajudar agora, por que? Passou fome seu metamorfo! Perdeu a mulher? E então... o amor acaba...
E fazendo o último comentário, e realmente merecedor deste. Santos Dumont, sim ele, Dumont, este que viveu da maneira que quis graças ao café de seu pai. Artista nato e também conhecido por seus inventos. Inspirou o mundo! Mas foi um grande babaca; sim talvez um dos maiores, pois ele realmente acreditava em um mundo melhor. Por que todo artista tem que ser sonhador? Mundo melhor! Hahaha! Que cretino, que venha toda bosta! No caso dele chegou. Usaram seu avião para fazer guerra. E no Brasil o único aeroporto que levava seu nome: Santos Dumont, o pai da aviação, seu grande e único reconhecimento, hoje, aeroporto Tom Jobim. “Quem foi o filha da piiii... brasileiro que deixou isto acontecer?” Não desrespeitando o mérito do Tom como músico, mas o que ele tem haver com aviação?! Ou eu sou muito burro e ignorante ou o que? O Tom deve pedir desculpas todos os dias para Dumont. E realmente, depois de tudo isto somente sendo um grande homem como foi o Santos, muito centrado e convencido de suas próprias convicções, e como astuto e cavalheiro pôde antecipar sua própria morte. — Quero renascer em qualquer país, menos no Brasil — comentou com o Tom.

Por que eu me sinto assim???
Por que eu sou um chato?! Por que eu sou revoltado?!
Nada disso, talvez porque eu seja sonhador e como sonhador, sonho todos os dias com um mundo melhor e sem idiotas que degeneram nosso mundo. Eu sou o Cidão: o revoltado — perante a sociedade, e para o leitor... apenas o narrador. Pra mim eu não sou revoltado, eu só não aceito a ignorância das pessoas, principalmente daquelas que se dizem “instruídas” e na verdade são pessoas “ignorantemente instruídas”. Porque podem até saber de cálculos e leis (se é que sabem; eu penso que eles fingem saber) mas não entendem nada da vida e como ela funciona. Se nós tivéssemos pessoas realmente instruídas com muita certeza que o Brasil seria o melhor país do mundo.

25 de fevereiro de 2011

Rembrandt Research Project (RRP)


Homem com um Capacete de Ouro, Gemäldegalerie, Berlin

Há muito considerado como uma das melhores obras de Rembrandt (cerca de 1650), foi então desclassificado pelo RRP no vol. II do Corpus. A pintura permanece em cartaz, como "Círculo de Rembrandt".



The Polish Rider, Frick Collection, New York

Importante estudioso do RRP Josué Bruyn rejeitou a pintura, mas o Frick continuou a afirmar que o mesmo é autêntico. Na última RRP Corpus, no catálogos Van de Wetering como "Rembrandt (com acréscimos posteriores) " e as datas em que a cerca de 1655.


O "Rembrandt Research Project" (RRP), deve ser fechado, embora esteja perto de terminar o seu catálogo completo. Após 42 anos de trabalho, os cinco volumes do "Corpus of Rembrandt Paintings" foram publicados. Era para ter sido um volume mais detalhado, mas isso foi descartado.

Em detalhe meticuloso, o "Corpus" oferece 240 pinturas que têm sido aceitas como obras de Rembrandt, com 162 dúvidas ou foram rejeitados. Isso deixa 80 obras que ainda não foram catalogadas, um quarto da obra. Estes serão incluídos em um volume menor de resumo.

No mês passado, o conselho RRP decidiu desacelerar o projeto até o final deste ano. Presidido por Ernst van de Wetering, seus membros são Egbert Haverkamp-Begemann (New York University), Taco Dibbits (Rijksmuseum), Peter van de Ploeg (Waanders publishing) e Rudi Ekkart (Netherlands Institute for Art History).

Maiores informações sobre as pinturas serão adicionados e os dados serão complementadas com material do PRR e disponibilizados na web (www.rembrandtdatabase.org)
 
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